terça-feira, junho 15, 2021

Azeites da Serra da Mantiqueira conquistam prêmios nos principais concursos do mundo

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A primeira extração de óleo brasílio ocorreu em 2008 graças aos trabalhos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), instituição vinculada à Secretaria de Cultura, Pecuária e Aprovisionamento (Seapa). Desde logo, os azeites nacionais, sobretudo os da Mantiqueira mineira e paulista, são destaques em concursos dentro e fora do país. As pontuações elevadas e as diversas medalhas conquistadas por azeites da região são provas de que o ‘terroir Sudeste’ agradou os paladares mais exigentes e caiu no sabor internacional.

Em concursos recentes realizados nos Estados Unidos, Itália, Portugal e Japão, azeites da Serra da Mantiqueira foram premiados com medalhas de ouro e prata. As avaliações foram feitas por especialistas sensoriais renomados. Os prêmios valorizam os azeites nos momentos de comercialização, o que é bom para os produtores e para a economia porquê um todo.

O pesquisador em olivicultura da Epamig Pedro Moura conta que, até chegar na qualidade reconhecida em concursos, existe um longo caminho percorrido pela olivicultura na Mantiqueira. Pedro destaca que esse caminho vai desde as pesquisas, que possibilitam o cultivo e o manejo das vegetação, passa pelo trabalho intenso dos produtores e vai até o processamento das azeitonas. Para o pesquisador, o préstimo de uma medalha está atribuído a todo esse processo.

“Cá na Epamig, ficamos muito orgulhosos, quando os produtores têm seus azeites premiados. A medalha também é um reconhecimento do nosso trabalho, das pesquisas que foram desenvolvidas até chegar na indicação das cultivares e nas técnicas de manejo mais adequadas. A medalha grinalda uma sucessão de tecnologias desenvolvidas ou adaptadas no campo e na agroindústria para chegarmos ao resultado final, o óleo. Cada premiação mostra que estamos no caminho manifesto”, comemora o pesquisador, que trabalha em Maria da Fé (MG), causa da olivicultura brasileira.

Mantiqueira brilha em Novidade York

O Concurso Mundial de Azeites de Novidade York (NYIOOC) é um dos maiores e mais prestigiados do mundo. A lista dos vencedores é considerada o guia solene para os melhores azeites de oliva extravirgem do ano. Em 2021, azeites da Mantiqueira mineira, paulista e do Sul do país marcaram presença na famosa lista novaiorquina.

O óleo mineiro da marca Monasto, feito com azeitonas plantadas na rancho Santa Helena, em Maria da Fé, recebeu medalha de ouro no concurso em Novidade York. Segundo a produtora do óleo, Rosana Chiavassa, foi necessário aprender tudo sobre equipamentos, adubos, materiais para colheita, além de pensar a marca, rótulos e garrafas.

O esforço da produtora valeu a pena. O lote do óleo premiado veio de azeitonas cultivadas ao som de músicas clássicas. A estratégia é inédita na região e rendeu o mais supino prêmio na categoria Delicate (Quebrável). Rosana Chiavassa sabe que quanto menor o deslocamento das azeitonas antes da extração maior será a qualidade do óleo. Por esse motivo, ela pensa em investir em um lagar próprio e possui planos de perfurar sua propriedade para o gastroturismo do óleo.

“Confio muito na minha equipe e acredito também na sensibilidade das vegetação. Ouço música o tempo inteiro, li sobre o ponto, soube de ideias semelhantes e resolvi colocar caixas de som e tocar música clássica nos olivais. Acredito, sim, que isso tenha influenciado no prêmio. Fomos o primeiro óleo pátrio a invadir Ouro na categoria Delicate”, comemora.

O produtor dos azeites da Mansão Mantiva, Carlos Diniz, também tem motivos para comemorar. Ele enviou dois azeites para avaliação no concurso de Novidade York e recebeu uma medalha de ouro e outra de prata. O produtor, enamorado pela olivicultura, conta que possui oito milénio vegetação e ainda está aprendendo a mourejar com elas.

Por se tratar de um concurso internacional com provadores de diferentes partes do mundo, ele considera que as medalhas são reconhecimentos de que em Minas, e na Mantiqueira em pessoal, as oliveiras têm uma frase possante e produzem azeites comparáveis aos melhores ‘terroirs’ do mundo.

“A olivicultura mineira avançou muito desde a extração do primeiro óleo pela Epamig em 2008, seja em dimensão plantada, marcas de óleo no mercado e reconhecimento internacional da qualidade dos seus produtos. Mas ainda temos muitos desafios para vencer e um grande espaço para melhorar, principalmente no paisagem da produtividade dos pomares e dos custos de produção”, declara Carlos Diniz.

Na opinião da azeitóloga brasileira Ana Beloto, os ‘territórios gastronômicos’ brasileiros, sobretudo a Mantiqueira, estão cada vez mais valorizados. A azeitóloga se refere às notas sensoriais que os azeites despertam no paladar. De contrato com Ana, o que se percebe ao degustar azeites da Mantiqueira são características de muita personalidade e complicação positiva aos olhos dos jurados mais exigentes, porquê notas de frutas tropicais.

“Maracujá, cacau, moca virente. Tudo isso é percebido no paladar, quando provamos azeites da Mantiqueira, seja mineira ou paulista, o que é bastante valorizado nos concursos. Creio que estamos construindo um caminho educativo no sentido de reconhecer nos azeites os nossos próprios sensoriais, valorizar a qualidade daquilo que a gente produz no Brasil e, evidente, harmonizar os azeites com pratos típicos da nossa própria culinária, não somente com bacalhau e salada”, pondera.

Ana Beloto foi responsável por desenvolver azeites premiados em Novidade York. Em Minas Gerais, a azeitóloga trabalhou em parceria com a marca Vertentes, localizada no limite entre a Mantiqueira e o Campo das Vertentes. O óleo formado pelas variedades Arbosana, Koroneiki e Arbequina foi premiado com a medalha de prata. O óleo monovarietal, desenvolvido com azeitonas de colheita temprana da cultivar Arbequina, também conquistou medalha de prata.

O caso dos azeites Vertentes exprime características do contexto produtivo da Serra da Mantiqueira. Segundo o diretor de marketing dos azeites Vertentes, Raul Moraes, a produção da marca ainda é recente, sendo que dos 80 hectares de oliveiras plantados, somente sete estão em produção. Para Raul, a teoria é, a cada ano, aumentar a produção de vegetação que ainda são muito jovens.

“O esforço de produzir azeites em uma terreno que se distancia de locais tradicionais de cultivo vem surpreendendo jurados com paladares muito complexos. Receber as medalhas foi um atestado desse esforço. Estamos trabalhando muito na adaptação das cultivares e estudando ao supremo para fazer o melhor óleo de oliva provável”, afirma Raul Moraes.

Nesse sentido, o empresário do ramo da olivicultura, Moacir Roble Dias, entende que o clima das montanhas e a pluralidade da vegetação mineira impactam na complicação de aromas muito muito percebidos por juízes de concursos. Moacir coleciona medalhas de ouro para os azeites do grupo Irarema.

Neste ano, o empresário celebrou o topo do pódio no concurso da Itália e uma medalha de prata na competição de Novidade York e tem planos para o horizonte. “Nos próximos anos, várias novas marcas vão surgir cá na rancho Irarema. Atualmente estamos com 20 milénio vegetação e, a partir de agora, vamos extrair genética de nossas árvores mais produtivas para, no horizonte, plantar mais 20 milénio pés”, projeta.

Itália, Portugal, Japão e tantos outros que virão

Os azeites da Mantiqueira e do Sul do Brasil também foram destaques em outros concursos internacionais, porquê o EVO International Olive Oil Contes (Itália), o OVIBEJA do Alentejo (Portugal), e o International Extra Virgin Olive Oil Competition (Japão). Para acessar a lista de brasileiros premiados, basta clicar nos nomes dos concursos.

Ana Beloto labareda atenção para outros concursos internacionais que ainda vão ocorrer em 2021 com a presença de azeites brasileiros.

“Teremos ainda alguns concursos na Itália, França, Grécia e Jerusalém. Nossos azeites ainda vão viajar pelo mundo, serão degustados por mais jurados internacionais e poderão lucrar mais prêmios. Por fim, é isso que nossos azeites merecem. Temos produtores engajados e trabalhando para esse objetivo, além de pesquisadores, azeitólogos e um time de outros profissionais”, finaliza.

Azeitech 

A Epamig promove, entre os dias 15 e 17 de junho, o 1º Azeitech. Neste ano, o evento on-line e gratuito vai debater a enxovia produtiva da oliveira e aspectos porquê qualidade, características sensoriais e escolha de azeites. As inscrições podem ser feitas no site www.azeitech.com.br.

O Azeitech é uma evolução do Dia de Campo de Olivicultura e da Mostra Tecnológica de Maquinários e Insumos, realizados anualmente no Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé. Nas edições anteriores, a Mostra Tecnológica apresentou produtos e serviços para a enxovia produtiva da oliveira, incluindo maquinários agrícolas de grande e de pequeno porte, pulverizadores, soluções para embalagem e envase, publicações, cosméticos, dentre outros. Na edição virtual, a proposta é manter a proximidade entre o mercado e o consumidor.

“Estamos abrindo um novo espaço para um mercado, uma atividade relativamente novidade no país, em uma veras que já é geral a todos os segmentos, a negociação on-line”, pondera o coordenador de Comercialização do Azeitech, Antônio Nunes.

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