segunda-feira, maio 17, 2021

Bolsonaro sinalizará a Biden aumento de operações contra desmatamento

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Espaço desmatada no Sul do Amazonas: governo acena com combate ao desmate proibido (Foto: Ibama/Reprodução)
Da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) adotará um oração moderado e sinalizará ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, que expandirá, em limitado prazo, o volume de operações contra o desmatamento na floresta amazônica.

O presidente já escreveu o esboço do seu oração, no qual voltará a se comprometer com o término do desmatamento proibido no Brasil até 2030 e convidará nações estrangeiras a ajudar no combate a queimadas com a injeção de recursos.

Na sua fala, segundo assessores palacianos, o presidente indicará aumento, ainda neste ano, da previsão orçamentária do Ibama (Instituto Brasiliano do Meio Envolvente) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes), órgãos federais de fiscalização ambiental.

A teoria é que o montante seja investido em equipamentos e veículos. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, o Ministério do Meio Envolvente deve enviar nos próximos dias um pedido solene à pasta da Economia. O valor e o protótipo do aporte ainda não foram definidos.

Os técnicos do governo ainda avaliam se o quantia virá por franqueza de crédito inesperado ou por remanejamento orçamentário. O Meio Envolvente já tem um pedido ordinário ao ministério da Economia de recomposição orçamentária que ainda não foi atendido.

O presidente sabe que uma das principais demandas das autoridades estrangeiras é o aumento dos quadros do Ibama e ICMBio.
Mas conselheiros do mandatário destacam que concursos para essas entidades levam tempo e que, portanto, eles não devem contribuir para os resultados que o Brasil precisa apresentar no limitado prazo.

Eles também ressaltam que Bolsonaro terá pouco tempo para falar e que a mensagem principal do Brasil deve ser genérica e similar à missiva enviada por Bolsonaro a Biden na semana passada. A previsão é de que o presidente utilize o tempo para falar de iniciativas futuras, sem fazer uma autocrítica.

O oração de Bolsonaro foi discutido em reunião, nesta segunda-feira, entre o presidente e os ministros Carlos França (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Envolvente), Tereza Cristina (Cultivação), Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Moradia Social).

Para indemnizar o déficit de servidores públicos nas entidades fiscalizadoras, o presidente avalia, porquê revelou o jornal Folha de S.Paulo na semana passada, manter forças militares para combater crimes ambientais na floresta amazônica.

A reedição de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para o período de seca no bioma florestal foi discutida na quinta-feira, 15, em reunião entre o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministérios do Meio Envolvente, da Cultivação, da Justiça e da Resguardo.

A teoria é que as forças militares permaneçam na floresta amazônica até novembro, quando recomeça o período de chuvas. O formato e o tempo da iniciativa devem ser discutidos na próxima semana entre técnicos do governo e comandantes militares.

O debate em torno da reedição de uma GLO representaria um recuo nos planos do governo, que anunciou oficialmente a saída dos militares dessas operações a partir de 1º de maio.

O Brasil enfrenta uma crise internacional na espaço do meio envolvente por conta do aumento do desmatamento na Amazônia, da recente vaga de incêndios no pantanal e do histórico de declarações de Bolsonaro.

O presidente já atacou ONGs que atuam na preservação da floresta e é crítico de lideranças indígenas. Ações de países estrangeiros sobre o tema, por sua vez, foram no pretérito rechaçadas por Bolsonaro por serem, na visão do mandatário, uma interferência na soberania do Brasil sobre o bioma.

De negócio com o Estagnar, sistema de monitoramento de desmate do Inpe (Instituto Vernáculo de Pesquisas Espaciais), a redução da floresta mensal na Amazônia voltou a crescer em março e bateu o recorde para o mês.

Os dados apontam 367,61 km² de desmatamento. O recorde anterior pertencia a 2018, com 356,6 km² destruídos, seguido por 2020, com 326,49 km² derrubados.

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