quinta-feira, julho 29, 2021

Cafés especiais do Paraná ganham mercado e mulheres são destaque

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É principalmente pelas mãos femininas que o Paraná tem se realçado na produção de cafés especiais. Por meio do projeto “Mulheres do Moca”, pequenas agricultoras do Setentrião Pioneiro paranaense deixaram o papel de coadjuvantes e assumiram o protagonismo nessa história. Dentre os benefícios colhidos, está a progressiva mudança da renome do moca paranaense, que antes estava mais associada aos grandes volumes de produção e, agora, galga posições nos concursos nacionais de qualidade.

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Maristela Souza, do município
de Tomazina, é uma delas. Maristela vive às voltas com o moca desde rapaz.
Primeiro ajudando o pai na roça, depois trabalhando ao lado do marido.

Em 2013, ela aceitou o invitação dos extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rústico do Paraná (IDR-PR) para participar do projeto “Mulheres do Moca”, que surgia com o propósito de capacitar o público feminino para a produção de cafés especiais porquê forma de reunir valor à pequena propriedade rústico.

“Aceitei o invitação, fiz
cursos, me capacitei e apliquei tudo o que aprendi. O resultado não podia ser
melhor. Minha primeira safra de moca próprio, colhida em 2017, ficou em
primeiro lugar no concurso Moca Qualidade Paraná”, comemora a agricultora.

Ela conta que naquele ano
vendeu a saca de 60 quilos do moca premiado a R$ 3 milénio. Na quadra, a saca do
moca geral era vendida a R$ 400. “Consegui nascente preço por ser um moca próprio,
premiado, e por ter sido cultivado por mulher”, diz orgulhosa, informando que o
mercado paga melhor o moca de qualidade cultivado pelo público feminino.

De lá para cá, Maristela, que
hoje tem 44 anos, vem acumulando prêmios e progredindo no negócio. Vende o moca
próprio para exportadoras que levam o resultado para a Austrália e faz venda
direta para cafeterias de Curitiba. Recentemente lançou sua própria marca
“Sítio São Luiz”, que comercializa direto ao consumidor pelas redes sociais e
no transacção lugar. O preço que ela recebe pela saca de 60 quilos varia de R$
1,3 milénio a R$ 2 milénio, muito superior ao valor pago pelo moca tradicional que hoje
está na tira de R$ 750 a saca.

Outra agricultora que
participa do projeto desde o primórdio é Juliane Nunes da Luz, de Pinhalão. Ela
tem 31 anos e desde 2004 ajudava o marido na lavoura de moca. “Fiz os cursos e
há três anos produzo moca próprio”, conta.

“Minha vida mudou”, afirma. Juliane
diz que a atividade é muito trabalhosa. “Exige muita dedicação, atenção e carinho
porque o moca próprio não pode ter defeitos”, destaca. Mas, segundo ela, vale
muito a pena. “O que mais vale é o reconhecimento. É uma alegria trabalhar e
ver o trabalho reconhecido. Isso melhora muito a autoestima da gente”,
afirma.

O moca produzido por Juliane,
que no ano pretérito foi vencedor do Cup das Mulheres do Moca (competição lugar
organizada pela associação das produtoras e pelo IDR), tem mercado guardado. “Não
preciso nem vulgarizar. As cafeterias de Curitiba e São Paulo vêm comprar o meu
resultado”, diz.

Segundo a agricultora, além da
satisfação pessoal o retorno financeiro também compensa. “A venda do moca
próprio rende o triplo do tradicional”, afirma. Com isso, ela conta que a
renda familiar subiu e a qualidade de vida melhorou.

Equipe multidisciplinar apoia as novas produtoras de moca próprio

“Nas nossas visitas a campo
percebíamos que a mulher sempre estava envolvida com a cultura do moca. Mas, embora
assumisse funções importantes, o conhecimento e a qualificação não chegavam até
ela. Sempre que havia um curso, era ofertado somente para os homens”, conta a
extensionista do IDR, Cintia Mara Lopes de Souza, coordenadora do projeto
“Mulheres do Moca”.

Cintia explica que a produção
de moca próprio é enxurro de detalhes. “Tem que se observar o momento evidente da
colheita, é preciso cuidar com a higiene e ter muita organização,
características inerentes ao público feminino”, destaca.

A extensionista diz que o
projeto seguiu uma tendência mundial. “Já existia um movimento grande de
valorização do trabalho feminino na cafeicultura, por meio da Associação Internacional
das Mulheres do Moca e observávamos que alguns países, porquê a Austrália, por
exemplo, pagavam melhor pelo moca cultivado por mulheres”, informa.

Hoje o projeto “Mulheres do Moca”, está em 11 municípios do Setentrião Pioneiro do Paraná. Conta com 250 cafeicultoras que cultivam o resultado em pequenas propriedades, com espaço média de três hectares. O IDR disponibiliza uma equipe multidisciplinar de 13 extensionistas para concordar as mulheres.

São economistas domésticos,
assistentes sociais, técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos. “Essa
multidisciplinaridade é muito importante porque o trabalho não se limita à
segmento técnica, mas envolve a questão comportamental, a liderança, a atitude e a
autoestima”, observa a coordenadora do projeto.

Uma vez que uma evolução do projeto, em 2019 foi criada a Associação das Mulheres do Moca do Setentrião Pioneiro do Paraná (Amucafé) para organizar a produção e concordar as agricultoras na comercialização, estreitando o relacionamento com o mercado de cafés especiais. A associação também compra segmento da produção das agricultoras e comercializa o moca torrado com a marca própria “Mulheres do Moca”.

Moca agora é motivo de volta ao campo e não de êxodo

Mas não são somente as mulheres que têm feito a diferença na cafeicultura paranaense. A produção de cafés especiais tem atraído também os homens e, em alguns casos, permitido que alguns façam o caminho inverso, de retorno da cidade para o campo. Foi o que aconteceu com Evilásio Mori. Ele herdou o sítio do pai, que foi cafeicultor a vida inteira. Depois de trabalhar na espaço de construção em Curitiba, Mori decidiu retornar a Cambira para se destinar à produção de cafés especiais.

“Assumi a propriedade em 2013
e desde 2015 faço todo o processo de produção do moca próprio”, conta. Com
marca própria, que é o sobrenome da família, o moca Mori sai da propriedade já
embalado. O resultado é vendido para cafeterias de Maringá, Curitiba, Florianópolis,
São Paulo e até da Espanha.

Evilásio Mori, de Cambira, voltou da cidade para o campo para produzir café especial.
Evilásio Mori, de Cambira, voltou da cidade para o campo para produzir moca próprio.| Registro pessoal

“Nas décadas de 1950 e 1960 o Paraná era o maior produtor pátrio de moca, mas acabou ficando com a renome de produzir quantidade e não qualidade”, diz Paulo Franzini, secretário executivo da Câmara Setorial do Moca e economista do Departamento de Economia Rústico da Secretaria da Cultura do Paraná.

Em volume de produção, o
Paraná hoje é o quinto produtor pátrio, com tapume de 1 milhão de sacas cultivadas
em 5 milénio propriedades rurais numa espaço totalidade de 35 milénio hectares. A colheita se
concentra de junho a setembro. “Já somos uma importante referência pátrio em
qualidade”, diz Franzini, referindo-se ao moca paranaense.

Segundo ele, da produção totalidade,
tapume de 20% são cafés especiais. O economista explica que o dispêndio de produção do
moca próprio é tapume de 20% maior do que o moca tradicional, mas o preço final
de venda é valorizado entre 50% e 60%.

Para estimular a produção de
cafés especiais, foi lançado em 2000 o concurso Moca Qualidade Paraná, uma
iniciativa da Câmara Setorial do Moca, IDR-PR, Secretaria Estadual da
Cultura e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina.

“A proposta do concurso era provar que o estado podia produzir um bom moca e conseguimos”, afirma. O concurso, que se tornou anual, vem dando visibilidade ao resultado paranaense. A edição deste ano acaba de ser lançada e as inscrições estão abertas até 4 de outubro.

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