quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Candidatos que viajaram se revoltam em seguida suspensão de prova do concurso da Polícia Social do Paraná: ‘Falta de saudação’ | Paraná

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A suspensão da prova do concurso público da Polícia Social do Paraná na madrugada deste domingo (21), horas antes da avaliação, revoltou candidatos que viajaram até Curitiba de outros estados, uma vez que Ceará, Piauí e Pernambuco, e também do interno do Paraná.

Eles dizem que vão cobrar na Justiça os prejuízos que tiveram com as despesas de viagem. Mais de 106 milénio pessoas estavam inscritas para a prova presencial deste domingo. São 400 vagas para as funções de representante, investigador e papiloscopista.

  • Polícia Social do Paraná avalia adotar medidas legais contra responsáveis por suspensão de concurso público
  • UFPR troca coordenador do Núcleo de Concursos em seguida suspensão das provas

O expedido da suspensão foi publicado às 5h42 deste domingo, horas antes de principiar a prova do concurso, que ocorreria em 350 locais em Curitiba e 19 em outras cidades do estado.

A justificativa do Núcleo de Concursos da Universidade Federalista do Paraná (NC-UFPR), que cancelou unilateralmente a prova, é a de que havia risco à saúde dos participantes. Leia o posicionamento no término da reportagem.

“Foi horroroso, a gente nem acreditou. Falta de saudação com os concurseiros. Estou muito gorado mesmo”, afirmou o biólogo Diego Lins Dourado, de 29 anos, que viajou mais de 3 milénio km de Camaragibe (PE) a Curitiba.

Ele e mais dois amigos que também fariam a prova calculam prejuízo de mais de R$ 2,5 milénio para cada. O grupo chegou a Curitiba na quinta-feira (18). Eles viajaram de avião por mais de 10 h, fazendo conexões em Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Jubiloso (RS).

“A gente não veio para fazer turismo. Nos preparamos para vários concursos e isso acaba atrapalhando nossos estudos”, explica o biólogo, que tenta uma vaga para investigador. Ele diz se preparar para pelo menos outros quatro concursos.

O parelha Ulisses e Ana Piauilino viajou mais de 5,5 milénio km, saindo de Parnaíba (PI). Eles percorreram 340 km de carruagem até Teresina (PI), pegaram um voo até Foz do Iguaçu, com graduação em São Paulo (SP), e depois encararam mais 670 km de ônibus até Curitiba.

“Praticamente um dia e uma noite de viagem. Sinto muita tristeza e frustração, fomos pegos de surpresa. Um completo sem razão por segmento da secretária que teve tempo suficiente para se preparar”, indica.

Ele diz ter gasto R$ 5 milénio com a viagem. “Prejuízo material e dano moral. Dois anos estudando, abrindo mão de lazer e de momentos com a família”, afirma.

Parelha Ana e Ulisses Piaulino viajaram mais de 5,5 milénio km para a prova do concurso da Polícia Social do Paraná que foi suspensa — Foto: Wilson Kirsche/RPC

O autônomo Thellisson dos Santos Alves, que mora em Cuiabá (MT), viajou por 32 horas de motocicleta com um companheiro até Curitiba. Eles chegaram na noite de sábado e não tinham nem lugar para dormir.

“Um motoqueiro de delivery conseguiu lugar na lar dele pra gente não permanecer na rua. Hotel estava muito dispendioso. Tirei quantia de onde não tinha para viajar. Vou levar uns quatro meses para remunerar. É desumana [a suspensão da prova]”, conta.

Candidatos do interno do Paraná

A advogada Nagila Bou Ltaif Guimarães, de 33 anos, de Foz do Iguaçu, no oeste do estado, cruzou o Paraná junto com três amigas para fazer a prova. Elas chegaram no sábado (20).

“Por que não se planejaram?”, questiona. “Fomos conseguir acessar o sítio de prova só ontem chegando a Curitiba, já meio apreensivas. Aí hoje vem a suspensão. Tremenda falta de saudação. Fiquei com muita raiva”, afirma.

Mauro Adriano Favoreto, também jurista, conta que saiu Mandaguari, no setentrião do estado, para fazer a prova em Curitiba. Ele passou a noite em Joinville (SC) e se deslocaria até a capital do Paraná na manhã deste domingo.

Favoreto diz que chegou a fazer uma suplente em um hotel de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, para a noite deste domingo por motivo da dificuldade em conseguir vaga – e pelo preço – na capital.

“O que mais me indigna mesmo é cancelar no dia, porque os motivos são muito compreensíveis, mas isso tinha que ser feito com antecedência. Tem muita gente que se preparou e gastou muito quantia com locomoção e hospedagem”, desabafa.

Para o jurista Wilson Accioli Fruto, os candidatos têm de ir à Justiça exigir indenização pelos prejuízos tanto do Governo do Paraná quanto da UFPR.

“O argumento jurídico que justifica eles serem indenizados com os custos é porque houve aquilo que chamamos de preterição fiscalizadora pela previsibilidade e pela possibilidade de evitar esses danos causados a terceiros. Ao longo da semana o governo garantiu que todos os requisitos de segurança sanitárias seriam observados. Eles poderiam não ser responsabilizados se fosse um tanto imprevisível”, explica.

Conforme documento, a organização alegou que durante “a última checagem realizada na madrugada” foi constatado que não havia condições de segurança indispensáveis para a realização da prova em todos os locais de Curitiba e Região Metropolitana.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, ainda de negócio com o texto, tais condições poderiam “colocar em risco a integridade das avaliações e o tratamento isonômico dos candidatos”.

A pandemia já tinha provocado duas alterações na data de realização da prova.

Enviado foi publicado às 5h42 deste domingo (21), dia que seria realizada a prova do concurso — Foto: Reprodução/NC-UFPR

O Governo do Paraná afirmou por meio de nota que a decisão foi da UFPR e que não compactua com a “irresponsabilidade de serem informados do cancelamento poucas horas antes da emprego das provas”.

Aliás, disse ainda que está cobrando esclarecimentos do Núcleo de Concursos da Universidade Federalista do Paraná, responsável pelo concurso, sobre a decisão.

Também por meio de nota, a Polícia Social afirmou que foi surpreendida pelo proclamação e que encaminhou ofício ao núcleo requisitando as justificativas para a suspensão.

Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Social do Paraná, Silvio Jacob Rockembach, disse que o órgão deve adotar medidas legais para responsabilizar todos os envolvidos na suspensão do concurso público.

A Universidade Federalista do Paraná (UFPR) informou por meio de nota, na tarde deste domingo, a troca do comando do NC-UFPR em seguida o caso e que, até a divulgação da novidade data, vai estabelecer condições para minimizar os transtornos ocorridos. Confira a íntegra.

“[A UFPR] lamenta e se solidariza com todos os candidatos, sobretudo os que se deslocaram para a participação nas provas, comprometendo-se a retomar o concurso na maior brevidade e nas melhores condições para todos”.

VÍDEOS: Pandemia do novo coronavírus no Paraná

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