terça-feira, junho 15, 2021

Com selo e certificado, canéfora se junta ao rol dos cafés especiais – 07/06/2021 – Comida

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O moca arábica, até hoje considerado sinônimo de subida qualidade, não está mais sozinho.

No dia 27 de abril, um lote de 250 sacas de moca conilon, variedade da espécie canéfora produzida pela Família Venturim, do Espírito Santo, recebeu o certificado inédito pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) —até hoje, só os da espécie arábica tinham merecido a certificação.

No dia último dia 1º, o canéfora rompeu outra barreira. O Instituto Pátrio da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de Denominação de Origem Matas de Rondônia, também inédito para grãos da espécie, aos cafés robusta produzidos em 15 municípios da região amazônica.

Comumente associado a cafés de baixa qualidade, destinados sobretudo à indústria de solúveis, o canéfora começou a mudar de faceta em 2007, quando Lucas Venturim, 39, assumiu com o irmão, Isaac, a quinta da família, localizada em São Gabriel da Palha (ES).

“Comecei a visitar produtores de arábica privativo para entender o que faziam de dissemelhante, e era muita coisa. Aplicamos esse conhecimento cá sem saber se daria manifesto, nem se teríamos mercado”, lembra.

Onze anos depois, em 2018, os Venturim colheram um lote que obteve 90 pontos pelo método de avaliação da Specialty Coffee Association (SC) —para ser considerado privativo, a pontuação mínima exigida é 80.

Formalmente associados à BSCA, primeira associação no mundo a furar as portas a produtores de canéfora, os irmãos foram portanto em procura de clientes.

Já em 2019, fizeram as primeiras exportações para a Rússia e a Alemanha —metade da produção atual vai para o mercado extrínseco.

Eles continuaram fornecendo seu conilon à indústria, mas com outro status. Vem de suas lavouras, por exemplo, o moca premium Nescafé Origens do Brasil Pontões Capixabas.

O restante da produção vai para o e-commerce próprio ou para cafeterias uma vez que o Coffee Lab, da barista Isabela Raposeiras, e a rede Santo Grão, onde é comercializado com o nome 0% Arábica. O primeiro lote certificado foi para a cafeteria Be Brave Coffee, em Sorocaba, no interno paulista.

“Ainda há muito trabalho de convencimento a fazer, mas o mercado está mais consolidado, temos clientes pulverizados pelo Brasil. A ingresso das grandes marcas ajuda a popularizar o conilon entre o público não especializado, que não tem moedor em morada”, aposta Venturim.

Muito longe dali, em Rondônia, o otimismo também toma conta dos produtores de moca canéfora.

Vice-presidente da Cooperativa de Agricultores Familiares da Amazônia (Lacoop), Leandro Dias Martins, 37, foi pioneiro na região e conseguiu disseminar a cultura do robusta, outra variedade do canéfora.

Concentradas na região oeste do estado, as 25 propriedades cooperadas são predominantemente familiares, com exclusivamente quatro hectares em média.

Todas estão investindo em estufas, terreiros de secagem suspensos e na técnica de levedação induzida, que aumenta a complicação aromática.

“Ganhamos concursos na Associação Brasileira da Indústria de Moca e já começamos a mandar amostras para grandes indústrias de outros países. Dizem que nosso robusta supera o do Vietnã e está em pé de paridade com o indiano e o indonésio”, orgulha-se Martins.

No Brasil, secção desses cafés amazônicos premiados acaba de chegar ao mercado com a novidade marca Remmo, nas versões em grãos e em cápsulas, vendidas pela Companhia dos Fermentados.

É só um prelúdios —a produção de canéfora de subida qualidade promete deslanchar no Brasil.

Com 6.300 associados, sendo 80% de propriedades familiares, a Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel da Palha firmou convênio uma vez que o Instituto Federalista do Espírito Santo para a realização de cursos de capacitação.

“É só uma questão de virar a chave e produzir de outro jeito”, acredita o presidente da cooperativa, Luiz Carlos Bastianello, 58.

O investimento em regadura e maquinário é tá, mas a produtividade vinco, assim uma vez que o lucro —Venturim revela que já vendeu microlotes por preço três vezes mais tá do que a tábua.

Terceira geração de produtores do município de Pinheiros (ES), Thiago Orletti, 38, tem 1.800 hectares plantados com cafés conilon. Das 100 milénio sacas anuais que produz, exclusivamente 5.000 são classificadas uma vez que cafés especiais.

Sem marca própria, os lotes são vendidos a indústrias e pequenas cafeterias, mas Orletti vê horizonte no segmento e não esconde o exalo.

“Muita gente torce o nariz para o conilon porque não conhece os novos cafés fermentados, que proporcionam uma explosão de aromas. Queremos substanciar nossa identidade de cafés produzidos no nível do mar. É uma bebida jovem de ourela da praia, que não tem zero a ver com serra”, define o produtor.

Outra propriedade do canéfora que pode atrair o consumidor jovem é a concentração de cafeína, até 50% maior comparada a dos cafés da espécie arábica.

Já o amargura pronunciado ficou no pretérito, explica Isabela Raposeiras.

“Muita gente espera um moca amargo, com notas de mendubi e terreno molhada, mas se surpreende. O último lote de conilon capixaba que vendi, da Família Venturim, estava principalmente frutado”, diz a barista, que comercializou o pacote de 250 gamas a R$ 50, mesmo preço dos melhores arábicas disponíveis na cafeteria.

A quebra do paradigma entre os coffee lovers pode até demorar, avalia Giuliana Bastos, uma das criadoras da São Paulo Coffee Fest.

Segundo ela, a supremacia do arábica vem sendo reforçada há mais de uma dezena e, para que o público mude sua percepção, leva tempo. Mas ela acredita que o movimento já começou.

“Quem frequenta cafeterias está experimentando canéforas especiais e ficando seduzido. São cafés muito cuidados, com notas sensoriais surpreendentes de frutas vermelhas, especiarias, uísque e até florais. Esse público já foi picado.”

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