quinta-feira, julho 29, 2021

Deputado de MS quer proibir “todxs e todes” em escolas e concursos – Política

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Fernandes revela que objetivo do projeto é exclusivamente poupar a Língua Portuguesa e dentro das normas

Deputado estadual emedebista em sessão da Tertúlia Legislativa (Foto: Luciana Nassar/Alems/Registro)

“Assim, os militantes visam uma mudança radical na norma culta do português”. É com essa frase logo no primeiro parágrafo que o deputado estadual Márcio Fernandes (MDB) justifica o projeto de lei em que pede a proibição do ensino em Mato Grosso do Sul da chamada “linguagem neutra”, em que há flexão de gênero em algumas palavras.

O projeto foi adicionado à tarifa da Alems (Tertúlia Legislativa de Mato Grosso do Sul) na semana passada e está em tramitação na Moradia, onde passará por estudo dos colegas de Fernandes e depois votação em plenário, caso seja aprovada nas comissões.

No texto, o deputado veda o uso em qualquer instituição de ensino, seja pessoal ou pública, ou de nível fundamental ou superior, do gênero linguístico neutro e novas formas de flexão que contrariem regras gramaticais nos currículos escolares e em editais de vestibulares, concursos e processos semelhantes.

“Nascente projeto de lei é apresentado em resposta a tentativas isoladas de impor uma visão linguística que reconheceria no português um terceiro gênero, o neutro, ao lado dos gêneros masculino e feminino”, destaca a justificativa do projeto.

Em outro trecho, Fernandes ainda labareda a linguagem de “visão distorcida da veras” e que exclusivamente promoverá “caos extenso e generalizado nos conceitos linguísticos”. Ele segue com a justificativa, somando duas páginas com críticas duras ao gênero.

“Em um país onde as pessoas mal sabem falar o português é um paradoxal ter que admitir esse tipo de desconstrução em nome do pensamento de que tudo que herdamos do pretérito deve ser eliminado ou substituído”, completa em outra segmento do documento.

“Não é inclusivo, é ideológico”, finaliza. Porém, em nenhum trecho o parlamentar cita locais em que o ensino desse gênero, fora dos padrões da Língua Portuguesa culta, é ensinado e faça segmento da grade curricular obrigatória das escolas.

Todes e Todxs – A linguagem neutra substitui o gênero das palavras, masculino e feminino, por formas em que artigos e pronomes, por exemplo, possam indicar ambos os gêneros e outros que não se identificam com nenhum deles – um pouco semelhante ao que ocorre por padrão na língua inglesa (The, usado tanto para homens uma vez que mulheres).

Atualmente, não existe nenhum reconhecimento de sua formalidade, mas discussões sobre a mesma ocorrem tanto no envolvente acadêmico uma vez que escolar, sem interferir até portanto nas regras oficiais da Língua Portuguesa.

Ainda assim, alguns grupos tentam barrar o progresso de tal questão, ligada ao ativismo LGBTQIA+ e usada de maneira informal por muitos dos que são membros ativos ou mesmo exclusivamente simpatizam com a culpa – de maneira próxima a termos regionais ou até mesmo abreviações criadas a partir de conversar na internet.

O deputado – A reportagem conversou com o deputado Marcio Fernandes sobre o surgimento da teoria e quais exemplos motivaram tal iniciativa, entre outras situações. Ele frisa que a questão é um matéria pátrio e por isso resolveu antecipá-la no Estado.

“Apresentei o projeto de lei que visa fazer com que as normas da Língua Portuguesa sejam seguidas. Sabemos que o preconceituoso não mudará o comportamento e a intolerância não tem a ver com a gramática. Logo enxergo que o projeto não fere ninguém, não agride ninguém. É só a questão da gramática mesmo”, explica Fernandes.

O parlamentar ainda conta que ele não soube de nenhum relato em Mato Grosso do Sul do gênero neutro ser ensinado e cobrado uma vez que se fosse uma regra solene, mas ressalta que o objetivo foi exclusivamente antecipar um pouco que logo chegaria aos estados.

“Vejo um contrassenso usar a linguagem neutra achando que ela é a melhor maneira de combater o preconceito. Ela deve permanecer com suas origens e o projeto só mantém cá o noção original dela. Não quero entrar em viés ideológico, discutir política, zero isso. É exclusivamente para poupar a Língua Portuguesa”, conclui.

*atualizada às 18h29 para acréscimo de informações

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