terça-feira, abril 20, 2021

Embrapa lança documentário sobre a produção de moca Robusta fino em terroir Amazônico

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O documentário “Robustas Amazônicos – Perfume, sabor e histórias que vêm das Matas de Rondônia”, retrata a verdade de uma cafeicultura única, emblemática e sustentável. São quase 50 minutos de uma mergulho neste terroir amazônico, conduzida por meio das histórias de vida e de valores culturais e agronômicos desta região. Apresenta o perfil de produção de um moca com qualidade que preserva a tradição dos pioneiros, a cultura do indígena e que mantém vivo o sonho de homens, mulheres e jovens no campo. 

Estes cafés não refletem somente a sua genética única, que se adaptou em terras amazônicas. São grãos especiais que agregam riqueza, tecnologia e preservação. Têm, em seus aromas e sabores, a dificuldade e a mistura de sua gente. O documentário completo está disponível no via da Embrapa no Youtube.

Todo o enredo se desenvolve na região que possui mais de 60% das áreas com lavouras de moca em Rondônia, responsável por 83% dos mais de 2 milhões de sacas produzidas anualmente no estado. Trata-se da região Matas de Rondônia, o terroir dos Robustas Amazônicos, que está em processo final de reconhecimento da sua Indicação Geográfica – IG. Esta será a primeira IG de cafés canéforas (robusta e conilon) sustentáveis do mundo, com a chancela da Global Coffee Plataform – GCP.

Rondônia é o quinto maior produtor de moca do país, segundo da espécie canéfora e responsável por 97% de todo o grão produzido na Amazônia. Nos últimos anos, as lavouras do estado vêm passando por uma contínua evolução tecnológica, tornando-se mais produtiva, sustentável e com aprimoramento da qualidade dos grãos. Em quase duas décadas, a produtividade evoluiu de 8 para 38 sacas por hectare e a qualidade de bebida dos Robustas Amazônicos e suas características sensoriais vêm conquistando concursos e novos consumidores. 

A cafeicultura é uma das principais atividades agrícolas geradoras de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS para o Estado de Rondônia. De convénio com dados do Instituto Brasílico de Geografia e Estatística (IBGE), a cultura é conduzida por muro de 17 milénio empreendimentos rurais. São módulos produtivos com média de quatro hectares plantados com a cultura. A base de toda a mão de obra é familiar e o processo de colheita é manual.  A exceção fica para um pequeno grupo de produtores que possui equipamentos para a colheita semimecanizada.
 

Identidade do moca que promove transformação social na Amazônia

Trabalhos realizados pela Embrapa e parceiros já demonstraram que o Estado de Rondônia, devido às suas características de clima, solo e seleção genética, é produtor de cafés robustas ou “arrobustados” – cruzamentos de cafés da espécie canéfora, das variedades botânicas robusta e conilon. Nestes híbridos naturais, predominam as características agronômicas e sensoriais da variedade fitologia robusta. 

Uma vez que o estado é o principal responsável pelo moca produzido na Amazônia, não demorou muito para que a cognome de ‘Robusta’ e ‘Amazônia’ fizesse secção do mesmo nome e passassem a simbolizar o grão produzido em Rondônia e em toda a região Amazônica. 

Mais que um nome tecnicamente propício, esta identidade carrega informações e agrega valores. É o reconhecimento de um moca que tem características únicas em uma região que não tem igual no mundo. “A Embrapa foi audaciosa ao propor para o setor cafeeiro pátrio uma novidade identidade para os cafés amazônicos. A confirmação do mercado e os resultados obtidos até o momento demonstram que esta foi uma atitude acertada”, comenta o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves.

Além da genética única de seus cafezais, que foram selecionados em solos Amazônicos, ao longo de quatro décadas, representa a mistura de um povo que veio em procura de vidas melhores no Eldorado Amazônico. Hoje, estes cafeicultores, descendentes de mineiros, capixabas e paranaenses, se juntaram aos indígenas para produzir grãos finos e com características sensoriais muito especiais. Tem os aromas e sabores das florestas com castanhas, chocolates e frutas exóticas. 

O documentário retrata a história de lutas e conquistas destes pioneiros, sua relação com a terreno, a natureza e o moca. Conta a saga dos que se apropriaram do conhecimento e da tecnologia, multiplicaram e estão ajudando a promover a evolução da cafeicultura do campo à xícara e a transformação de todo um setor. 

Para o pesquisador Enrique Alves, o conhecimento tecnológico desenvolvido na dimensão da pesquisa só faz sentido se for propício no campo, servindo de utensílio para transformações positivas de cenários, geração de renda, melhoria da qualidade de vida e inclusão social. “Acredito no poder de transformação que o uso de tecnologias de produção sustentável pode ter na verdade da lavradio familiar e de comunidades tradicionais amazônicas”, afirma Alves.

O reconhecimento que a cafeicultura do estado tem conquistado nos últimos anos é revérbero da união de esforços entre produtores, instituições de pesquisa, extensão rústico e órgãos governamentais.

Adoção de tecnologias e reunião de valor

Com o uso de tecnologias há uma novidade gama de possibilidades na produção de cafés canéforas com qualidade. O trabalho da Embrapa Rondônia tem sido o de motivar e subsidiar as boas práticas no campo. Na pós-colheita, os maiores avanços estão na procura do ponto ideal de colheita, na validação de equipamentos para a colheita semimecanizada e nos processos de secagem lenta e cuidadosa dos frutos para atingir a qualidade desejada.

Com a evolução dos materiais genéticos e lançamento de clones individuais, os pesquisadores recomendam que, apesar de serem plantados em linhas sucessivas – seis ou mais clones – no momento dos tratos culturais, adubação, poda e, principalmente, durante a colheita e pós-colheita, cada clone receba uma atenção individual (vegetal) e coletiva (lavoura). A pesquisa tem demonstrado que, cada clone tem características genéticas distintas e isso reflete em seu ciclo de maturação, conferindo características sensoriais próprias.

Diversos tipos de secadores solares também foram validados e recomendados para a melhoria da qualidade dos frutos em temperatura ideal (35 °C a 45°C) e de forma sustentável. Estes métodos são adequados para a produção de microlotes ou em pequenas áreas, uma vez que acontece em Rondônia. Técnicas mais elaboradas de processamento dos frutos são incessantemente desenvolvidas e validadas nos campos experimentais da Embrapa ou áreas de produtores.

Os processos de fermentações controladas, ou positivas, também validados pela Embrapa, estão sendo cada vez mais adotados pelos cafeicultores. Resultado disso são os cafés premiados em concursos e que já fazem secção de um processo de transformação do perfil sensorial dos Robustas Amazônicos, deixando-os ainda mais exóticos e diferenciados. “O efeito da ação dos microrganismos nos frutos e grãos evidenciam e tornam mais intensas características de acidez e mel, deixando a bebida bastante equilibrada e interessante aos mais exigentes paladares”, explica Enrique Alves. 

Os donos da história: qualidade, inclusão e reconhecimento

O documentário é apresentado por seis famílias de cafeicultores que representam a variação e as riquezas culturais na produção dos Robustas Amazônicos especiais na Região Matas de Rondônia. Estas famílias resgatam a sua história e carregam o legado dos pioneiros visionários que vieram para a Amazônia em procura de um sonho. A origem de uma cafeicultura que resultou da mistura do conilon capixaba com os robustas levados para Rondônia, pela Embrapa em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas – IAC. 

São produtores parceiros da Embrapa Rondônia que empregam tecnologias geradas, validadas e preconizadas por meio da pesquisa científica.  “Ainda há muito que fazer, mas já é provável ver que a Amazônia está no rumo manifesto, com uma cafeicultura cada vez mais preocupada em se fazer sustentável, inclusiva, eficiente e com qualidade”, conclui o pesquisador.

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