quarta-feira, maio 5, 2021

‘Máfia dos concursos’: soldado do Corpo de Bombeiros do DF é recluso suspeito de remunerar R$ 40 milénio pela aprovação | Província Federalista

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Um soldado do Corpo de Bombeiros do Província Federalista foi recluso temporariamente, neste sábado (1º), durante uma operação da Polícia Social que investiga fraudes em concursos públicos. O militar – que não teve a identidade divulgada – é suspeito de remunerar R$ 40 milénio à chamada “máfia dos concursos” para ser validado na corporação.

A prisão ocorreu em Taguatinga e faz secção da 6ª período da operação Panoptes, que contou com o esteio da Corregedoria do Corpo de Bombeiros. Em nota, a corporação militar informou que “está aguardando o curso da investigação para adotar as medidas administrativas cabíveis ao caso”.

“Ressaltamos que a corporação não coaduna e nem aceita qualquer tipo de fraude em seus processos de ingresso e, até o presente momento, não possui informação sobre outros casos de fraude envolvendo ingresso de militares em suas fileiras.”

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O mandado de prisão foi expedido pela Vara Criminal de Águas Claras e vale por cinco dias. Em 2018, os nove principais integrantes da máfia foram condenados pelos crimes de organização criminosa, fraude em concurso e uso de documento falso (veja mais aquém).

O gerente da Delegacia de Repressão ao Violação Organizado (Draco), Adriano Valente, contou que, inicialmente, o candidato contratou a máfia dos concursos para entrar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2015, mas não foi validado. Logo, o cliente foi direcionado para outra seleção, a dos bombeiros, em 2017.

A ficha de matrícula do candidato foi encontrada com membros da organização criminosa, segundo a polícia. “A quantia de R$ 40 milénio que o soldado admitiu ter negociado com a organização criminosa é o mesmo valor pago por diversos outros fraudadores já indiciados em outros inquéritos policiais da Draco por fraudes em concursos públicos”, disse o representante.

‘Máfia dos Concursos’: Polícia Social prende bombeiro suspeito de fraudar concurso

Resposta por ponto eletrônico

De harmonia com a polícia, a máfia dos concursos agia de quatro maneiras:

  1. candidato usava ponto eletrônico para receber respostas de criminosos que faziam a prova e saíam antes do sítio com o gabarito;
  2. funcionários de bancas organizadoras preenchiam as folhas de resposta do “cliente” segundo o gabarito solene;
  3. criminosos usavam documentos falsos para fazer a prova no lugar de inscritos.
  4. E, por término, candidatos usavam um celular escondido no banheiro para receber as respostas. Segundo a investigação, foi logo que o bombeiro recluso neste sábado (1º) teria conseguido fraudar o concurso.

Coche de operações especiais da Polícia Social do DF em frente ao Cespe, um dos alvos da operação Panoptes; em imagem de registo — Foto: Bianca Pelágico/G1

A suspeita de fraude começou no dia do concurso, em 2017, quando o Corpo de Bombeiros e a polícia localizaram os celulares nos locais das provas.

Desde 2017 a polícia indiciou dezenas de suspeitos de trapacear seleções do STJ, das secretaria de Ensino e Saúde, do Ministério Público da União e da Dependência Vernáculo de Transportes Aquaviários (Antaq).

De harmonia com o Ministério Público, que ofereceu a denúncia, o grupo também vendeu aprovações na corporação dos Bombeiros e na Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), fraudou vestibulares de medicina e falsificou diplomas e certificados de pós-graduação.

Em 2018, a Justiça condenou os nove principais integrantes da máfia. Hélio Ortiz, indicado porquê gerente do grupo, e o fruto dele, Bruno Garcia Ortiz, foram condenados a nove anos de prisão cada um.

Em nota, a resguardo dos condenados disse ao G1 que Hélio e Bruno cumprem pena em regime crédulo e que a resguardo “repudia veementemente as acusações e irá apresentar os recursos necessários e possíveis”.

Mesmo depois a prisão dos condenados, a polícia continua investigando as fraudes. Os alvos são servidores que entraram em órgãos públicos com a fraude. A polícia espera prender e alongar fraudadores dos cargos.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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