segunda-feira, maio 17, 2021

Mauro Modesto, o soldado da cultura acreana, será homenageado nesta terça

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Exatos 31 anos depois de sua geração, a Instalação Municipal de Cultura e Desporto, que se tornaria a “Instalação de Cultura Garibaldi Brasil”, órgão da Prefeitura de Rio Branco, vai render, na manhã desta terça-feira (20), as devidas homenagens a seu fundador e fundador, o poeta, jornalista redactor Mauro D’Avila Modesto, de 68 anos.

O nome atual da Instalação é uma homenagem a outro grande vulto da cultura sítio, o jornalista e promotor de Justiça Garibaldi Carneiro Brasil, paraense radicado no Acre e que faleceu em Rio Branco em 1986. A Instalação foi criada durante o governo do prefeito Jorge Kalume, em 1999, de quem Mauro Modesto era companheiro e assessor para assuntos culturais.

Mauro Modesto/Foto: registro pessoal

Mauro foi, portanto, o primeiro diretor-presidente daquela que seria a mansão de cultura do município de Rio Branco. Nascido em três de fevereiro de 1943, em Sena Madureira,no Acre, Mauro Modesto vem a ser o décimo primeiro dos catorze filhos de Iracema d’Ávila Modesto, amazonense, e José Modesto da Costa, migrante nordestino.

O próprio Mauro conta que, aos 15 anos de idade, percebeu que Sena Madureira, com suas ruas de terreno batida e dependendo, porquê de resto todo o Acre, do contracheque dos servidores públicos para movimentar a incipiente economia sítio, era de traje muito pequena para o tamanho de seus sonhos. Sonhos de poeta em tempo de descobrimento pessoal.

Foi estudar no Rio de Janeiro (e, posteriormente, em Minas Gerais), ocasião em que vivenciou novos horizontes e, de inesperado, juntou-se aos poetas, motivo para belos encontros, formando aí, as rodas poéticas na cidade que fervilhava política e culturalmente. Aos 16 anos, começou a ortografar seus primeiros versos.

Mauro Modesto, um soldado da literatura acreana/Foto: registro pessoal

É formado pela Universidade Federalista do Acre (Ufac), em Ciências Econômicas, profissão que4 nunca exerceu.. Preferiu ser radialista, jornalista e poeta. Uma vez que jornalista, por 16 anos exerceu a profissão na Assessoria de Notícia Social do Gabinete do Governador do Estado. “É por meio da verso que exprimo minhas emoções, com narrações sobre o prazer, o delícia”, diz o poeta, que fala também de desistência, “sobretudo nas madrugadas frias”. Mauro costuma expor a verso é som em movimento, “é
suspiro de paixão e sentimento, é saudade, nota preponderante em sua temática”.

Um talento reconhecido inclusive também por outros talentosos grandiosos, porquê é o caso do filósofo, jornalista e redactor Antonio Stélio, acreano atualmente vivendo em Natal, no Rio Grande do Setentrião. Sobre Mauro, ele escreveu: “Mauro Modesto, depois que fixou residência, definitivamente, no Acre, porquê rebento pródigo, organizou concursos de poesias, escreveu colunas em jornais, falou de verso em tempos difíceis e se tornou um soldado da literatura acreana”.

Com o mesmo reconhecimento, a doutora e comendadora Nilza Pinho de Athayde Lieh, presidente da Liceu Brasileira de Meio Envolvente, prefaciando Modesto, em 2010, ressaltou que “a cultura acreana tem na figura do poeta Mauro Modesto um dos seus maiores incentivadores, contribuindo, de maneira decisiva, na divulgação do Estado e da verso acreana pelo Brasil afora, defendendo e honrando as causas da Amazônia, da ensino, os valores do Brasil e o patrimônio histórico e cultural do Acre”.

Por seu ativismo cultural, Mauro Modesto é considerado o Príncipe dos Poetas Acreanos, título outorgado pela Morada do Poeta Acreano, das quais presidente, à estação, era o poeta, professor e jornalista Elzo Rodrigues da Silva, de saudosa memória. No bojo da disseminação da cultura, publicou e lançou doze livros: “Desencontro”, em 1983, lançado em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Branco e Sena Madureira. “Por quê?” veio em 1985, lançado no Rio de Janeiro, Rio Branco e Sena Madureira. Em seguida, produziu “Toda Saudade Tem Um Nome”, de 1990, lançado no Rio de Janeiro, Rio Branco, Sena Madureira, Ibiraçu e Vitória – ES.

Em 1998, veio “Respingo de Paixão e de Saudade”, lançado agora também em Recife e Olinda – PE. Em 2000, nasce “Pedaços de Paixão e de Saudade”, lançado agora também na cidade de Mariana-MG. “Neblina de Saudade” surge em 2004. “Do outro lado do monte” surge em 2010. “Saudades Ocultas na Risco do Horizonte” surge em 201” e “Saudades tuas, saudades minhas é 2013.

“‘Confidências – verso a quatro mãos” foi lançado em 20125 em parceria com sua esposa, Edir Figueira Marques – 2015 – lançado nas cidades do Rio de Janeiro, Rio Branco, Brasiléia e Sena Madureira. “Uma vida… infinitas saudades” é 2017.

Além de ortografar e publicar suas obras, Mauro Modesto é conferencista e memorialista, mas é na verso que encanta. Acredita que a verso refina a sensibilidade, serve de ponte para a compreensão do Eu e do Mundo, é linguagem imprescindível entre o sujeito e a vida, contribuindo para o conhecimento de si e o reverência pelo outro. Para ele, verso é a emoção que transcende o tempo e o espaço.

Tendo esta percepção e considerando que as escolas são celeiros de grandes talentos para difundir o valor da literatura, vegetal, até hoje, suas sementes na rede escolar, criando espaço no qual os adolescentes tem aproximação com a verso.

Mauro fundou a Instalação Municipal de Cultura e Desporto, atual Instalação Garibaldi Brasil/Foto: registro pessoal

Foi o fundador da Instalação Municipal de Cultura e Desporto – atual Instalação Garibaldi Brasil, durante a gestão do prefeito Jorge Kalume. Em 18 de maio de 1990, pelo Decreto nº 2.593-A, foi autenticado o Regime da referida instauração, da qual foi seu primeiro presidente.

Nesse período, realizou concursos estaduais e nacionais de verso, sediou em Rio Branco o I Seminário da Verso Brasileira, transformando a cidade, por uma semana, em “a capital da verso brasileira”, com a presença de poetas, escritores e ativistas culturais do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Goiás, Amazonas e Rondônia, dentre eles o poeta Thiago de Melo. Realizou nas escolas da capital e interno, conferências sobre Castro Alves e Rui Barbosa; Manoel Bandeira, pela acadêmica Robélia Fernandes de Souza; e J. G. de Araújo Jorge, pelo jornalista e acadêmico Elzo Rodrigues da Silva; todos membros da Liceu Acreana de Letras.

Mauro Modesto também fundou as Academias de Letras e Artes nos municípios de Sena Madureira, Xapuri, Plácido de Castro, Brasiléia, Assis Brasil, Senador Guiomard e Região de Campinas. Em Rio Branco, a Liceu de Jornalistas e de Letras do Estado do Acre, o Instituto Brasílico de Culturas Internacionais, a Federação das Academias de Letras e Artes do Estado do Acre, a Liceu dos Poetas Acreanos e a Sub-chancelaria do Instituto Brasílico de Culturas Internacionais de Brasiléia (Brasil, Bolívia e Peru).

Em 1987, participou de um concurso pátrio de verso, na cidade do Rio de Janeiro, concorrendo com mais de 20 milénio poetas brasileiros e é agraciado com a medalha de ouro Raimundo Correia de Verso, editado pela Shogun Editora e Artes. É detentor na cidade do Rio de Janeiro, das medalhas “Olavo Bilac”, do Préstimo Acadêmico “Austregésilo de Athayde”, do Préstimo Cultural Ambiental “Francisco da Silva Superior”, do Préstimo “Juscelino Kubitscheck” e “Jorge Estremecido”, dentre outras. Foi condecorado com as medalhas “Museu Maria da Fontinha”, Elos Clube de Leiria e medalha do Centenário de “Miguel Torga”, de Portugal. Recebeu, ainda, medalha de Emissário da “Divine Académie Française des Arts, Lettres e Culture”, da França.

Mauro Modesto ocupa a Cadeira nº 13, da Liceu Acreana de Letras, das quais Patrono é o jornalista Garibaldi Brasil. Foi Presidente desta Liceu por oito anos. É Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Acre. No Brasil, é membro da Federação das Academias de Letras do Brasil, da União Brasileira de Escritores, da Liceu Brasileira do Meio Envolvente (da qual é presidente de honra), da Liceu Pan-americana de Letras e Artes, do Instituto Brasílico de Culturas Internacionais, do Cenáculo Brasílico de Letras e Artes, da Liceu de Letras e Artes de Paranapuã, da Liceu de Letras do Estado do Rio de Janeiro, estas com sede na cidade do Rio de Janeiro; da Federação Baiana de Escritores e Liceu Castro Alves, na Bahia; da Liceu Interamericana de Literatura e Jurisprudência, de Anápolis, e Liceu Goianiense de Letras, de Goiás; da Liceu Internacional de Letras “Três Fronteiras” (Brasil, Uruguai e Argentina); da Internacional de Ciências Humanísticas, do Instituto Histórico e Geográfico e da Liceu de Letras, em Uruguaiana, além de inúmeras outras entidades culturais espalhadas no Brasil.

Recentemente, recebeu o troféu ATITUDE, na esfera da Instrução, outorgado pelo Ministério Público do Acre, em 2018, em reconhecimento pelo trabalho realizado, voluntariamente, nas escolas por 48 anos, com oficinas de verso. Recebeu também, no mesmo ano, no Dia da Verso, moção de louvor da Câmara Municipal de Rio Branco, por indicação do vereador Mamed Dankar.

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