Sindicato aponta déficit de 47% na Polícia Social em Campinas – cotidiano

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Isolamento e aposentadorias defasaram equipe (Foto: Denny Cesare/Codigo 19)

Um levantamento apontou que Campinas tem um déficit de 47% de policiais civis. A informação é do sindicato que representa a categoria, que também apontou que a metrópole possui somente 373 profissionais, sendo que o ideal seria 704. 

A defasagem é notada em todas as carreiras, dentre delegados, escrivães e investigadores. O déficit é de anos, mas o presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Campinas e região), Aparecido Lima de Roble, comenta que a pandemia da covid-19 acabou intensificando o problema. 

“Na pandemia o déficit aumentou substancialmente pelo encolhimento de policiais e porque a Polícia Social está velha e mais de 33% dos policiais estão em condições de se reformar”, disse. 

De entendimento com Aparecido, a falta de policiais atinge várias delegacias do estado. “O déficit da Polícia Social no Estado de São Paulo é de mais de 14 milénio policiais. É impossível repor isso a pequeno e médio prazo porque a ateneu não comporta essa quantidade de policiais no curso de formação” ,completou. 

PREJUÍZO NAS INVESTIGAÇÕES 

Hamiton Caviolla Fruto é representante há 38 anos e afirma que o problema é macróbio, mas que a cada dia que passa se acentua ainda mais. “Nunca tivemos um quadro completo para o preenchimento de nossas vagas. Mas uma situação uma vez que hoje eu nunca vi. O déficit é enorme”, lamentou. 

Ele avalia que a falta de efetivo, além de sobrecarregar os profissionais, acaba prejudicando as investigações. 

“Prejudica além de quem nos procura diariamente para fazer um simples boletim de ocorrência, uma vez que nas acusações penais. 

Os crimes hoje são poucos investigados por falta de gente que vá a rua investigar”, pontuou. 

CRIMES AMBIENTAIS AFETADOS 

Os reflexos da falta de policiais também atingem áreas mais específicas, uma vez que a de crimes contra o meio envolvente e animais. Flávio Lamas é presidente da ONG Amigos dos Animais, de Campinas, que atende 2,5 milénio animais, e sente falta de uma delegacia especializada nesse tipo de violação. 

“Se você tiver um violação ambiental com bicho e for em uma delegacia, você chega e fica esperando, porque os poucos policiais que existem vão tratar primeiro os casos humanos”. 

O representante do Deinter( Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interno) 2 de Campinas, José Henrique Ventura, admite o problema e afirma que estão sendo tomadas providências. 

“Nós praticamente esgotamos a chamada dos remanescentes. Logo agora nós precisamos dos novos concursos, que foram autorizados pelo Governo do Estado esse ano, mas para contratação só o ano que vem, em razão da Lei Federalista, e portanto iremos melhorando essa situação com os concursos e as vagas que vão se abrindo”. 

O QUE DIZ O ESTADO 

Procurada, a secretaria da Segurança Pública afirmou que investe na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o estado, e que somente nesta gestão foram contratados mais de 10 milénio policiais, sendo 1.658 civis. 

Ainda de entendimento com a pasta, atualmente 638 novos policiais civis estão em formação na ateneu de polícia, e que novos concursos foram autorizados, com mais de 2.750 milénio vagas para a instituição. 

“No ano pretérito, foram investidos mais de R$ 140 milhões para a compra de novas armas e tecnologias”, disse. 

Sobre o déficit na segmento de crimes ambientais e animais, a secretaria disse que todas as denúncias de maus-tratos contra animais podem ser registradas pela delegacia eletrônica de proteção bicho, por meio do link http://www.ssp.sp.gov.br/depa.

“As denúncias são encaminhadas para os distritos policiais em todo o estado de São Paulo, que elaboram os boletins de ocorrências e investigam os fatos”, informou em nota. 

Ainda segundo a pasta, em Campinas as ocorrências mais graves são encaminhadas ao SIE (Setor de Investigações Estratégica), da 1ª seccional, sendo que de janeiro a maio de 2021 foram 6.271 denúncias

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