Suspensão de concurso do IBGE frustra comunidade na Zona Sul de SP; desempregados estudavam para salários de até R$ 2,1 milénio | São Paulo

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Nas últimas três semanas, Camilla Araújo, de 34 anos, deixava os três filhos com a mãe algumas horas por dia para se destinar às aulas voltadas para o concurso do Recenseamento 2021. Moradora da Zona Sul de São Paulo e desempregada há oito meses, ela via no fiscalização uma oportunidade de voltar a ter salário, ainda que temporário. Sem renda, Camilla teve que deixar a moradia alugada em que morava com os filhos e ir morar com a mãe.

Porém, nesta terça-feira (6), o Instituto Brasílico de Geografia e Estatística (IBGE) informou que suspendeu a realização das provas dos concursos para recenseamento. A decisão foi tomada posteriormente o Congresso subscrever um orçamento que prevê a redução de 96% do valor que seria talhado para a pesquisa.

Em todo o Brasil, eram oferecidas 181.898 vagas de recenseador e 22.409 vagas para agente censitário municipal e supervisor. Os salários iam até R$ 2.100 e as provas aconteceriam nos dias 18 e 25 de abril.

O curso preparatório feito por Camilla era oferecido gratuitamente pelo “Observatório De Olho na Quebrada”, da União de Moradores de Heliópolis. Posteriormente a divulgação do concurso, o observatório mobilizou a comunidade para a oportunidade.

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União de Moradores de Heliópolis mobilizou comunidade, inscreveu quase 70 pessoas, e ofereceu curso gratuito de preparação para as provas. — Foto: Divulgação/PMSP

Primeiro, o grupo divulgou a orifício dos editais por meio da rádio comunitária e de grupos no WhatsApp. Depois, auxiliou moradores a conseguir a isenção das taxas, e pagou o valor de R$ 25 da matrícula para aqueles que não conseguiram. A partir desta mobilização, 67 se inscreveram, sendo 73% mulheres e 27% homens.

“Muita gente não sabia nem o que era IBGE, mandaram currículo para a gente, e aí explicamos que era uma prova e que a gente estava fornecendo lição”, contou João Victor de Paula, de 20 anos, um dos integrantes do Observatório.

A União de Moradores deu preferência aos moradores de Heliópolis, mas também podiam se inscrever pessoas que moram no entorno. O único requisito para participar era colocar Heliópolis porquê “região censitária”, que seria a dimensão onde a pessoa iria trabalhar.

Levante é o caso de Camilla, que mora no Sacomã, no entorno da comunidade. “Quebrou a nossa expectativa, eu estava optimista”, disse a jovem.

Ex-moradora de Heliópolis e hoje em São Bernardo do Campo, Carla Rodrigues da Silva, de 42 anos, também teve os planos frustrados com a suspensão das provas. Da dimensão de Recursos Humanos, ela está desempregada desde outubro e também tinha se engajado no curso oferecido pelo Observatório.

“Desanimador [a suspensão], porque o mercado de trabalho está muito difícil, eu já mandei mais de 400 currículos”, desabafou Carla.

Moradora de Heliópolis, a assistente social Laiane da Silva Santos, de 31 anos, também voltará a entregar currículos. Há três anos ela não consegue um trabalho fixo em sua dimensão de atuação. De 2018 para cá, conseguiu ajudar em moradia com trabalhos temporários.

Além da prometer uma renda temporária aos desempregados da comunidade que estão sofrendo com a crise causada pela pandemia, o Observatório de Olho na Quebrada também via uma chance de Heliópolis ser melhor representada no recenseamento.

“Nossa intenção era fazer crescer o número de recenseadores dentro de Heliópolis, que é muito plebeu”, disse João Victor.

Em 2010, o último recenseamento demográfico realizado pelo IBGE mapeou pouco mais de 41 milénio moradores em Heliópolis. Em 2017, dados da Prefeitura de São Paulo já indicavam muro de 180 milénio habitantes. Levante novo recenseamento seria uma oportunidade de medir corretamente a população e consequentemente ter políticas públicas planejadas para aquele tamanho de população.

O curso preparatório estava acontecendo online, de segunda a sexta-feira. Com professores voluntários, os inscritos tinham aulas voltadas ao teor do edital, porquê matemática, raciocínio lógico, português, gestão pública e moral.

Uma vez que as provas não têm data para intercorrer, as aulas do curso também foram suspensas, até que haja alguma definição do IBGE.

Observatório da Quebrada, projeto que reúne moradores e educadores de Heliópolis. — Foto: Observatório da Quebrada

VÍDEO: Recenseamento 2021 é precípuo para políticas públicas, mas corre riscos com golpe de verba

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